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Gigante da banana deve compensar vítimas de paramilitares colombianos: tribunal dos EUA

Os familiares sobreviventes receberam 38,3 milhões de dólares depois de a Chiquita ter sido considerada responsável pelo financiamento do grupo armado que matou os seus familiares.

Um tribunal dos Estados Unidos ordenou que a gigante bananeira Chiquita Brands International pagasse indemnizações às vítimas da violência paramilitar na Colômbia.

Um júri de um tribunal federal da Flórida disse na segunda-feira que a empresa deve pagar US$ 38,3 milhões em danos às famílias de oito homens colombianos mortos pelas Forças Unidas de Autodefesa da Colômbia (AUC).

Designada como organização terrorista pelos EUA, a AUC era conhecida pelas suas violações dos direitos humanos, de acordo com a EarthRights, uma ONG que ajudou a construir o caso.

Os oito demandantes no caso eram as famílias das vítimas, que incluem maridos e filhos mortos pelas AUC, segundo os seus advogados.

“Nossos clientes arriscaram suas vidas para responsabilizar a Chiquita, depositando sua fé no sistema de justiça dos Estados Unidos”, disse Agnieszka Fryszman, uma das advogadas que lidera o caso.

Membros da AUC posam antes de se prepararem para entregar as armas em 2004, na região nordeste de Tibu, Colômbia [File: Rafa Salafranca/EPA]

A Chiquita foi condenada por um tribunal dos EUA em 2007 a pagar uma multa de 25 milhões de dólares para resolver acusações criminais de que fazia negócios com as AUC.

A empresa se declarou culpada nesse caso de pagar dinheiro de proteção de 2001 a 2004, o que disse ter feito para proteger os funcionários. Disse que foi vítima de extorsão.

No entanto, os queixosos alegaram que a Chiquita pagou às AUC quase 2 milhões de dólares, apesar de saber que o grupo estava envolvido num reinado de violência.

O júri aceitou o argumento de que o dinheiro transferido para os paramilitares foi utilizado para cometer crimes de guerra como homicídios, raptos, extorsões, torturas e desaparecimentos forçados.

Na década de 1990, as AUC travaram uma guerra amarga contra combatentes colombianos de extrema esquerda, por vezes auxiliados por membros das forças armadas.

O grupo depôs as armas em 2006, confessando os crimes e concordando em indenizar as vítimas.

Marco Simons, conselheiro geral da EarthRights International, saudou o veredicto como “uma mensagem poderosa para as empresas de todo o mundo: lucrar com os abusos dos direitos humanos não ficará impune”.

Simons também elogiou a coragem das famílias que prevaleceram contra uma grande empresa norte-americana no processo judicial.

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